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Folha de S.Paulo - 11 de maio de 2012 |
Perfil de versatilidade da São Paulo Cia. de Dança
esbarra em questão problemática
A SPCD (São Paulo Companhia de Dança)
não possui um coreógrafo fixo e, para criar um repertório versátil, sempre
convida criadores renomados.
Sua mais recente encomenda é o
espetáculo "Bachiana nº1", assinado por Rodrigo Pederneiras –
coreógrafo do Grupo Corpo –, que trabalhou a partir da obra musical de Heitor
Villa-Lobos, a “Bachianas Brasileiras n°1”.
A linguagem de Pederneiras é um
conjunto de movimentos diferentes do balé e, para aprendê-la, é preciso tempo
de amadurecimento.
Logo, surge uma problemática: como é
possível em pouco tempo de ensaio condicionar os corpos dos bailarinos para
realizar essa diferente linguagem de dança?
O treinamento em balé clássico
prepara fisicamente, o bailarino, para a realização
virtuosa dos passos. Mas o aperfeiçoamento de outra técnica de dança exige a
constante repetição dessa mesma técnica.
Certamente, o intuito da SPCD não é recriar o
trabalho que Pederneiras desenvolve no Grupo Corpo, e sim possibilitar a
adaptação dos bailarinos à sua proposta.
No entanto, o contexto de pouco
convívio da companhia com a nova linguagem gera o risco de situar a obra em uma
zona superficial de “corte e colagem” de movimentos.
Nas cenas coletivas, percebe-se que,
mesmo com nível técnico avançado, o grupo não está afinado.
Apenas no pas-de-deux (duo principal) o
traço autoral do coreógrafo fica mais aprofundado, talvez porque o acordo entre
dois corpos aconteça mais rápido.
O perfil de versatilidade da SPCD
esbarra nos limites burocráticos de tempo e nos limites físicos de assimilação
de uma nova informação. A questão se impõe e merece reflexão.
Avaliação:
Regular









